Cais de Mar provém de dois elementos. Certa perplexidade diante da brutalidade e da estupidez típica dessa era, em contraponto às experiências dos coletivos, dos comuns; experiências de comiseração definidas pelo partilhar e o acolher. Trata-se mais de um esforço a descrever aspectos do mundo a partir de um mirante, que no caso é um cais de mar, um lugar abstrato, efêmero e de pedra; de pedra bruta. Lá é onde se chega sem ter ido. É onde se vai sem sair. É onde também se fica, mesmo quando indo e vindo. Em seu aspecto mítico realista, é o lócus do sal, que, dos humanos, só permite o som miúdo da lamúria e suas primas salgadas: as lágrimas! Num cais de mar, as portas dos armazéns estão sempre abertas e irradiam incontáveis possibilidades para mares insondáveis: mar de saudade; mar de idiomas; mar de espanto e temor; mar de ferros contorcidos. Um cais, pois, espelha, assim, nas suas pedras e nos seus ferros, a natureza humana, na sua mesquinharia e no seu esplendor. Neste Cais de Mar, as palavras miram essa realidade que, se por vezes é singular, é também multidimensional e universal.
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