No início da colonização do Brasil, a cachaça surgiu à revelia dos poderosos da época (os senhores dos engenhos de açúcar), expressando a criatividade dos africanos escravizados, que logo lhe conferiram o nome que até hoje preserva. Bálsamo para os escravizados e as classes menos favorecidas, a cachaça atravessou os séculos cercada de peripécias e contendas. A princípio tolerada, depois reivindicada pelos senhores de engenho, chegou a protagonizar uma revolta contra a Coroa Portuguesa (a Revolta da Cachaça, 1660-1661). Com o tempo, surgiram milhares de alambiques em praticamente todo o território nacional. Mas era bebida de pobre, vendida em botequim; não tinha lugar na mesa das classes mais abastadas. E o estigma permaneceu até a segunda metade do século XX. O cenário começou a mudar a partir da década de 1980. Desde então, acolhida como tema de estudo nas universidades, a cachaça foi (e continua sendo) objeto de muitas pesquisas, teses e publicações. Tem sido examinada e debatida em seminários e congressos, com a participação ativa do setor produtivo. Centenas de marcas têm sido premiadas em concursos nacionais e internacionais. E, assim, revela ao mundo sua verdadeira identidade e valores. Neste livro, registram-se os princípios das boas práticas da produção da cachaça de alambique. Em especial, pretende-se resguardar o significado social do seu resgate, como paradigma do alcance da inteligência coletiva, ao associar escolas, universidades, entidades governamentais e o universo dos produtores.
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