Lembrar não é, necessariamente, organizar o passado, mas bagunçá-lo de um jeito novo. Partindo desse princípio, em Novos amigos, Mabel trata a memória como um campo de colisão: episódios distantes no tempo se esbarram, se contaminam, se alteram mutuamente. No poema de abertura, duas cenas - uma troca de roupa na infância, uma tentativa de transa na adolescência - se entrelaçam para mostrar que o que nos marca não tem hora certa para acontecer. Há algo que muda para sempre, mas essa mudança vibra entre o riso e o constrangimento, entre o susto e a ternura.
Ao longo do livro, o luto e a brincadeira formam uma dupla improvável e inseparável. O pai que morreu volta com dedos calejados e cheios de confete; os amigos perdidos reaparecem em formas indefinidas; a infância, que parecia enterrada, ressurge com força de encantamento. Mabel não traça fronteiras entre ser criança ou adulta: ela atravessa esses limites com a mesma naturalidade com que guarda cacos de lembrança. Com imaginação e melancolia, ela propõe um outro caminho para a poesia: onde o fantasma sorri, a dor dança, e a lembrança inventa aquilo que parecia já ter acabado.
Dieser Download kann aus rechtlichen Gründen nur mit Rechnungsadresse in A, B, BG, CY, CZ, D, DK, EW, E, FIN, F, GR, H, IRL, I, LT, L, LR, M, NL, PL, P, R, S, SLO, SK ausgeliefert werden.








