O pensamento revolucionário se destaca por sua capacidade de sair do "lugar-comum". Nas abordagens sociológicas atuais voltadas à transformação social, é comum afirmar a necessidade de não hierarquizar as opressões e de construir uma luta unificada contra o capitalismo, o patriarcado e o racismo. Entretanto, há grande distância entre o que se afirma e o que se pratica, pois diversas armadilhas nos desviam de nossos propósitos, inserindo-nos em análises que reproduzem as clivagens das contradições da realidade social. O livro busca evitar essas armadilhas, propondo uma ampliação do conceito de uberização do trabalho que inclua não apenas os motoristas, mas também os familiares responsáveis por sua reprodução social. A partir de sua pesquisa com familiares de motoristas da Uber e POP99, Izadora dá visibilidade ao imenso trabalho de reprodução social, realizado sobretudo por mulheres. Para a autora, esse trabalho está oculto no "lugar-comum" denominado "uberização do trabalho", aplicado somente aos trabalhadores de aplicativos. A apropriação, pelos homens e pelo sistema capitalista, do trabalho de reprodução social realizado pelas mulheres indica que a precarização do trabalho e a figura do trabalhador perpétuo são categorias de análise que devem ser consideradas tanto dentro quanto fora dos veículos. No emaranhado de opressões da realidade social, classe, gênero e raça são acionados para pensar o processo de precarização da vida no capitalismo contemporâneo. Rafaela Cyrino
Dieser Download kann aus rechtlichen Gründen nur mit Rechnungsadresse in A, B, BG, CY, CZ, D, DK, EW, E, FIN, F, GR, H, IRL, I, LT, L, LR, M, NL, PL, P, R, S, SLO, SK ausgeliefert werden.