Nos poemas traduzidos, esse mesmo espírito se faz presente: o amor, o desejo, o conflito entre carne e alma, a finitude e a eternidade se entrelaçam com vocabulário denso e imagens fortes. Há uma ênfase recorrente na contradição interna: o amor que fere, a beleza que condena, o fogo que purifica, a morte que redime. São temas clássicos tratados com a intensidade renascentista, mas acessíveis ao leitor contemporâneo por meio de uma tradução que opta, frequentemente, pela transparência emocional sobre a formalidade métrica. A tradução dos poemas se destaca por sua ousadia e inventividade. Longe de uma literalidade rígida, os versos mantêm ressonâncias do italiano original, mas fluem com uma sintaxe por vezes fragmentária, carregada de ambiguidades e desvios que ecoam o espírito dos textos-fonte. A escolha por manter algumas estruturas arcaicas ou distorcidas ("minha culpa, do início branco"; "alma fez primeva"; "de sincera cintura que se amarra") não é mero acidente, mas uma decisão estética coerente com a intenção de preservar a estranheza da origem. A leitura exige atenção, mas recompensa com um sentimento de resgate: as vozes de Michelangelo e Petrarca não estão apenas traduzidas - estão reinterpretadas."Vozes quasi distantes" é uma obra de atravessamentos: entre línguas, tempos, formas e sensibilidades. Ao reunir ensaio, tradução poética e reflexão biográfica, o volume constitui um raro exercício de mediação cultural que privilegia o afeto estético e a densidade simbólica.
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